Ok, Berlim... mas, por quê?
Então eu me mudava para São Paulo, já com uma proposta de emprego em uma empresa que mudou a minha forma de me ver e me entender enquanto QA (Quality Assurance... sim, o cara de testes).
Cheguei em São Paulo achando que a minha experiência na cidade seria cultural, que eu aproveitaria toda a efervescência da cidade para aproveitar todos os minutos, mas a cidade acabou se mostrando totalmente diferente dos meus planos iniciais, o que foi maravilhoso para mim.
Quando saí de Belo Horizonte, eu já não era nenhum jovem cheio de energia que almeja viver na cidade que nunca dorme, eu era apenas um adulto que gostaria de explorar novas possibilidades e realizar seu plano de viagens.
Como belorizontino, eu já esperava que o choque com a “cidade gigante” (porque cidade grande, Belo Horizonte também era) também fosse ter algum impacto em mim, tanto que eu tinha em mente que eu viveria em São Paulo por dois ou três anos e procuraria algum outro lugar pra viver, lugar este que eu imaginava que seria Recife ou Fortaleza.
Eu estava me desenvolvendo profissionalmente. Estava aprendendo muito, num ritmo muito veloz e vinha trabalhando num projeto extremamente desafiador e que exigia habilidades técnicas e sociais bem apuradas. E tinha o time! Ah, o time... era maravilhoso lidar com aquelas pessoas, aprender com eles, passar o dia com eles... sério, eu tenho muita gratidão por aquele time.
Cheguei em São Paulo em julho de 2017 e, logo depois, em meados de setembro, eu precisaria me despedir de um dos melhores profissionais que já trabalhei. Talvez ele vai ser o único que terá o seu nome mencionado aqui no blog, mas ele merece, pois não fosse ele e essa história que conto agora, esse blog nem faria sentido de existir.
Pois bem, o Ronan estava deixando a empresa pra se juntar a uma grande fintech roxa de cartões que aprendemos a amar e, num dia qualquer, me abordou dizendo que um amigo, que trabalhava em Berlim, estava procurando indicações de QAs para a empresa. Me perguntou se eu tinha interesse e eu respondi de supetão: SIM!
Vale lembrar que, na minha cabeça, viajar para exterior era possível de duas formas: você tem dinheiro e vai de férias ou seu pai paga o seu intercâmbio. Na minha realidade de classe média (aqui eu já podia me sentir um privilegiado que já não mais pertencia à classe média-baixa), morar fora para trabalhar era uma consequência da segunda forma de viagem, ou seja, o pai paga o intercâmbio, o filho volta, se forma e vai trabalhar no exterior.
Mas eu não exitei em responder aquele sim, que saiu com vontade, com pressa e com um total de 000 responsabilidade, pois eu não esperava que nada sairia daquele sim, então, logo, eu não pensei em nenhuma consequência que aquele sim poderia trazer.
Mas saiu e a moça do RH me escreveu marcando uma entrevista, alguns dias depois. Pronto, eu já não dormiria mais até o dia da entrevista.
Meu inglês não era (ainda nem considero que seja) um dos melhores e eu nunca havia passado por uma entrevista, ou conversa mais séria, ou real necessidade... enfim, eu nunca tinha usado o meu inglês de forma mais consistente, então vocês podem imaginar o quanto eu estava nervoso (leia-se DESESPERADO) por aquela entrevista.
A entrevista aconteceu e tudo foi ótimo.
Calma! Não me interprete mal: a entrevista foi horrorosa, eu estava super nervoso e estava tão focado/preocupado com meu inglês que eu não conseguia responder às perguntas técnicas que me eram feitas e, mais que obviamente, eu não passei nem daquela fase do processo seletivo.
Mas por que então você disse que foi tudo ótimo, Fábio?
Por que eu percebi tudo isso. Eu sabia que tinha sido uma merda e eu sabia o motivo de ter sido uma merda, então eu poderia trabalhar estes pontos para melhorar numa próxima oportunidade, além de ter feito a minha PRIMEIRA ENTREVISTA EM INGLÊS. \o/
Pode parecer bobagem, mas ter atravessado essa primeira entrevista foi realmente um marco importante para mim, pois eu sentia que eu poderia, sim, me comunicar em inglês, além de ter trazido, para mim, uma nova estratégia que eu nunca havia pensado que poderia ser possível: morar fora do país.
Comecei a pesquisar lugares com os quais eu me identificava e como era o mercado desses país e, coincidentemente, o maior match foi, de fato, Berlim. Havia uma oferta muito grande de vagas em TI, pois a cidade está pipocando de startups e Berlim trazia consigo tudo o que eu procurava em uma cidade, seja em relação à infraestrutura, movimento cultural ou valores humanos, além de perceber que todas as empresas exigiam apenas o inglês, já que eu não falo alemão. Então era isso, estava decidido, eu ia começar a me aplicar para vagas em Berlim.
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