BH, o problema não é com você, é comigo...
Passei trinta anos sonhando em viajar e conhecer o mundo. Como quase todo brasileiro de classe média-baixa, este sempre foi um sonho (muito) distante, quase impossível de realizar, pois toda experiência que eu ouvia vinha de pessoas com uma melhor condição social, seja para uma viagem de férias, seja para fazer um intercâmbio (claro, patrocinado pelos pais).
O fato era que, apesar da minha louca vontade de viajar e conhecer o máximo de culturas possíveis, eu me sabotava pois, na minha cabeça, viagem internacional é coisa de quem tem dinheiro.
Mas os trinta anos chegaram e, com ele, vieram todas as noias e auto reflexões que fazemos quando alcançamos os trinta:
“O que eu conquistei até hoje?”
“Quem eu fui e quem eu estou me tornando?”
“Quais os sonhos que eu deixei de sonhar?”
Nesse momento, eu estava estabilizado em um emprego (que não me motivava em nada além de ser perto de casa e o salário) e resolvi planejar uma viagem para o exterior. Então, no final de outubro de 2014, eu pegava o meu primeiro voo internacional com destino a Buenos Aires, na Argentina.
Essa viagem mudou a minha vida. Pela primeira vez eu viajava sozinho, pela primeira vez eu visitava um lugar onde não se falava a minha língua, pela primeira vez eu passava mais de uma hora e meia dentro de um avião, pela primeira vez estava eu por mim mesmo.
Buenos Aires me mudou de uma forma que eu nunca imaginei que poderia ter acontecido. Aquele sonho de viajar o mundo reviveu em mim e, agora, mais do que nunca, eu tinha certeza que, mais do que querer, eu precisava daquilo. Eu precisava viajar, eu precisava ter contato com outras culturas, eu precisava...
Mas eu ainda não era uma pessoa que tinha dinheiro para isso (e ainda não sou uma pessoa que tem dinheiro sobrando... hahaha...) e Belo Horizonte não é dos lugares mais baratos de se programar uma viagem, mesmo por conta da baixa oferta de voos. Mas essa ideia começou a me perturbar e eu passava noites pensando no que eu poderia fazer para colocar os meus planos de viagem em ação.
Foi nesse momento que decidi sair de Belo Horizonte e me mudar para São Paulo. Neste momento, viver em São Paulo me parecia uma boa opção para trabalhar e poder viajar (mesmo porque as ofertas de viagem, saindo de lá, eram financeiramente mais atrativas).
Pois é, Belo Horizonte, eu te amo e quero o melhor pra você, mas eu não posso mais continuar. Entenda que o problema não é (todo) com você, é comigo...
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